EVANDRO E ARTHUR LANCI CONTAM OS DIAS PARA CARIMBAR VAGA PARA OS JOGOS DE PARIS.

Dupla de vôlei de praia está radicada no Espírito Santo há pouco mais de um ano e conta com pupilo do lendário Leandro Brachola no comando técnico.

Chegando na reta final do ciclo olímpico para os jogos de Paris, a dupla de vôlei de praia Evandro e Arthur Lanci conta os dias para carimbar a tão sonhada vaga.

Campeões da etapa Challenge de Recife do Circuito Mundial, que aconteceu no mês passado, os atletas seguem acumulando pontos no ranking, e atualmente figuram na 10ª colocação.

Treinando no Espírito Santo há pouco mais de um ano, os atletas contam com uma estrutura de ponta, inspirada e indicada por quem já trouxe uma medalha olímpica de ouro na bagagem: o capixaba Alison Mamute, o qual Evandro nutre grande admiração.

Evandro disputa vaga para sua terceira olímpiada. Foto: Jordan Nunes / Capixaba Esporte.

– Sem dúvida, o meu ídolo é o Alisson Mamute, que foi campeão olímpico em 2016. Estou muito feliz aqui, tive meu filho aqui, posso falar que ele é capixaba também. E, cara, o trabalho, o trabalho me fez vir pra cá, o trabalho me fez permanecer aqui, ficar aqui. Eu conversei muito com o Wallace também, que antes de ser meu técnico é meu amigo pessoal. Soube como era a vida aqui, essas coisas todas, a qualidade de vida. E hoje me encontro numa situação que eu não quero mais voltar pro Rio. De tão bom, de quanto eu fui abraçado aqui pelo povo capixaba também – Afirmou em coletiva de imprensa.

No comando técnico, outro velho conhecido do vôlei de praia nacional: Wallace Ramos, que é pupilo do lendário treinador Leandro Brachola, mas que agora escreve a sua própria história, antes como auxiliar e atualmente como técnico principal. O carioca Evandro teceu elogios ao comandante, que também estava na equipe campeã olímpica nos Jogos do Rio, em 2016.

– Em relação à Olimpíada, minha terceira Olimpíada, e sim, eu posso falar que estou no meu ápice, estou sendo cobrado da comissão técnica de uma forma que eu nunca fui das outras vezes. Estou com uma equipe, uma das melhores equipes do mundo pra mim. Então, eu posso falar que estou no ápice, estou no meu melhor, agora com 33 anos.

Os atletas, apoiados pelo Clube Aest, concederam entrevista coletiva na tarde desta terça-feira, na sede da Aest, em Manguinhos, na Serra.

O paranaense Arthur Lanci segue em busca de sua primeira olimpíada na carreira. Faltando mais quatro etapas para o fim do circuito, o jogador contou como tenta controlar a ansiedade, para que a dupla siga pontuando.

– A ansiedade é extrema, né? A gente tenta não demonstrar, trabalha de todo jeito como psicólogo, mas eu sou muito ansioso. No dia a dia já durmo mal quando tem jogo, mas eu estou conseguindo levar. Mas cada vez que está chegando mais próximo assim, a ansiedade aumenta muito mais. Principalmente nos jogos, aquela vontade de ganhar logo, ali no momento final, conseguir resolver, eu fico ansioso demais, mas tô aprendendo a controlar, tô conseguindo.

A dupla ainda falou sobre o sonho da vaga olímpica, e sobre os próximos torneios que antecedem os jogos.

A gente pensa todo dia sobre a vaga olímpica, eu acho que ganhar torneios independente da corrida olímpica é importante, sempre ganhar, né? Mas assim, ainda é um sonho, a gente ainda tem, matematicamente, o número não dá pra brincar, né? Ainda tem chance, ainda tem como a galera conseguir a vaga, então nós temos que fazer a nossa parte e depender da gente mesmo, né? Nós pensamos muito nisso.

ARTHUR LANCI
Arthur Lanci busca vaga para sua primeira olímpiada. Foto: Jordan Nunes / Capixaba Esporte.

É isso que um pouco o Arthur falou, né cara? A gente tem, sabemos que não tem nada decidido, tem muito torneio ainda para acontecer, pra acabar a corrida olímpica, temos quatro, cinco torneios ainda, até acabar a corrida olímpica e tudo pode acontecer, né? Então, a gente pensa em cada torneio, cada jogo, cada ponto é importante pra gente, pra gente ganhar mais casca ainda como time, esse ano passamos o segundo ano praticamente com o Arthur rodando o circuito mundial e estamos brigando por uma vaga olímpica, né? A gente sabe que a gente tem os pés no chão, que não tem nada decidido, nós temos que fazer por onde, porque se a gente achar que estamos classificados, a gente pode escorregar e não conseguir nada. Então, o próximo objetivo agora é Brasília, é chegar e dar o nosso máximo, e através disso, a gente vai decidir se vai ser bom para a gente ganhar o torneio ou se não vai ser. Lógico, quando a gente pensa em Olimpíada, se eu falo para você que não, eu estaria mentindo. Mas nós sabemos o que tem que ser feito em Brasília agora, que é o próximo objetivo, fazer um primeiro jogo, um segundo jogo e sucessivamente. Então, nós sabemos que se não for em Brasília, a gente não vai conseguir o nosso objetivo. Então, um dia de cada vez, uma etapa de cada vez, vamos pensar em Brasília. Para enfim, lá na frente, poder pensar em olímpiadas.

EVANDRO

PACTO POR VAGA EM BRASÍLIA.

O próximo desafio de Evandro e Arthur Lanci será entre os dias 1º e 5 de maio, no segmento Elite 16, que acontece em Brasília. Essa será a etapa que vai valer mais pontos em todo o Circuito Mundial.

Evandro revelou que fez uma espécie de pacto com o parceiro para que ambos possam garantir a vaga para Paris jogando no Brasil.

– Fiz um pacto com o Arthur da gente poder carimbar o nosso passaporte nessa etapa de Brasília e atingir o nosso principal objetivo. Mas se a gente não conseguir agora, tem outras etapas pra conseguir. Porém, é impossível já não pensar em Olimpíada, e não pensar em não representar o meu país. Peço a Deus para nos dar muita sabedoria, além de trabalho e saúde, porque o resto a gente corre atrás.


CORRIDA OLÍMPICA.

Serão 24 duplas por gênero, com no máximo duas duplas por país. Duas duplas já estão garantidas nos Jogos de Paris, pois foram campeãs mundiais em 2023: os tchecos Ondřej Perušic e David Schweiner no masculino e as norte-americanas Sara Hughes e Kelly Cheng no feminino.

Além deles, a França, por ser país sede, também tem duas duplas, uma em cada naipe, confirmadas na competição. E as duplas campeãs dos torneios continentais que serão disputados em junho de 2024. O restante das vagas vem das 17 duplas com melhor ranking entre os dias 1 de janeiro de 2023 e 10 de junho de 2024.

O vôlei de praia será disputado em uma arena montada aos pés da torre Eiffel. Os jogos começam no dia 27 de julho e vão até o dia 10 de agosto. A tabela será divulgada após a classificação das duplas.

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